O contrato de gaveta tem validade jurÃdica?
- Dobrevski Caniato
- 14 de jan. de 2025
- 3 min de leitura

O contrato de gaveta é uma prática bastante conhecida no mercado imobiliário brasileiro, especialmente em transações que envolvem financiamentos ativos. Trata-se de um acordo informal no qual o comprador assume a responsabilidade pelas prestações do financiamento em nome do vendedor, sem que o imóvel seja formalmente transferido no Cartório de Registro de Imóveis. Apesar de ser um arranjo aparentemente prático, essa modalidade de contrato carece de validade jurÃdica e pode gerar diversos riscos para ambas as partes.
A Validade JurÃdica do Contrato de Gaveta
De acordo com a legislação brasileira, a propriedade de um imóvel só é considerada efetiva após o registro da escritura pública de compra e venda no Cartório de Registro de Imóveis competente. Esse requisito é determinado pelo Código Civil (Art. 1.245), que estipula que o registro é indispensável para a transferência de propriedade:
"Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do tÃtulo translativo no Registro de Imóveis."
Portanto, o contrato de gaveta, por não ser registrado, não transfere a propriedade do imóvel de forma legal. Mesmo que o comprador esteja honrando os pagamentos do financiamento ou tenha firmado um acordo particular, ele não será reconhecido como proprietário do bem perante a lei.
Principais Riscos do Contrato de Gaveta
Embora essa prática seja adotada em algumas situações como forma de contornar burocracias ou custos, os riscos envolvidos são significativos:
Para o Comprador
Falta de Garantia de Propriedade:O comprador não se torna o dono legal do imóvel, o que significa que não poderá vendê-lo, financiá-lo novamente ou utilizá-lo como garantia.
Riscos em Caso de DÃvidas do Vendedor:O imóvel ainda estará registrado em nome do vendedor, podendo ser penhorado em razão de dÃvidas pessoais dele.
Problemas na Regularização Futuras:Caso o vendedor ou seus herdeiros se recusem a formalizar a transferência no futuro, o comprador pode enfrentar longas disputas judiciais para regularizar a situação.
Para o Vendedor
Responsabilidade sobre o Imóvel:Como o imóvel permanece registrado em seu nome, o vendedor pode ser responsabilizado por impostos, taxas, ou até danos causados a terceiros relacionados ao imóvel.
Riscos com o Financiamento:Caso o comprador deixe de pagar as parcelas do financiamento, o vendedor pode ter seu nome negativado e sofrer com execuções de dÃvida.
Alternativa Segura: A Formalização no Cartório
Para evitar os problemas e riscos associados ao contrato de gaveta, é fundamental que a transação imobiliária seja formalizada por meio de:
Escritura Pública de Compra e Venda: Documento elaborado no Cartório de Notas que oficializa a negociação.
Registro no Cartório de Registro de Imóveis: Apenas após o registro o comprador será reconhecido legalmente como proprietário.
Regularização de Financiamento: Caso o imóvel tenha financiamento ativo, recomenda-se realizar a transferência formal do contrato junto à instituição financeira.
Essas etapas, embora mais burocráticas, garantem a segurança jurÃdica para ambas as partes envolvidas na transação.
Conclusão
Embora o contrato de gaveta seja uma prática comum em algumas regiões, ele não possui validade jurÃdica e apresenta riscos significativos para compradores e vendedores. Para evitar complicações legais e prejuÃzos financeiros, é essencial que as transações imobiliárias sejam formalizadas de acordo com a legislação vigente.
Ao adotar as medidas formais, como a lavratura de escritura pública e o registro no Cartório de Registro de Imóveis, ambas as partes têm a tranquilidade e a segurança necessárias para efetivar a negociação de forma justa e transparente.
Seo: segurança jurÃdica | transação imobiliária | contrato de gaveta